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FCC

Professor (Brasil)

Pablo Fagundes

Pablo é um músico por essência. A crença no aprendizado do instrumento gaita sempre apontou na certeza de que o estudo e a determinação faziam a diferença, eram o começo da história. O talento desvendado na gaita diatônica em meados de 1992 repercutia as raízes negras do blues e do jazz, despertadas pelo fascínio da música. Tempos depois, o predomínio da música brasileira trouxe junto o desafio da gaita cromática. O objetivo aí estava traçado. Um dos meios de alcançá-lo veio com a formação pela Escola de Música de Brasília, enquanto consolidava a convicção de que o universo é o limite da música, o aprendizado, eterno. Nessa sequência de realizações e descobertas, uma delas marcou os rumos na construção do ser profissional. A generosidade professoral de Maurício Einhorn, lenda viva do instrumento, abriu novos e claros horizontes para o músico, que Maurício já considerava de “rara habilidade e sensibilidade”. Cabia a Pablo fazer a sua parte. Antes, na Universidade de Brasília, o lado musical inquieto havia desembocado em um projeto inédito de Graduação em Engenharia Florestal. O futuro engenheiro mirou longe na construção de gaitas diatônicas com madeiras brasileiras não ameaçadas de extinção. Mirou certeiro na profissão do coração. A pesquisa, em parceria com o Laboratório de Produtos Florestais do Ibama, definiu 12 espécies de madeira, entre 50 selecionadas para a produção de instrumentos musicais. A alegria do projeto aprovado ecoa ainda na reverência do músico à expertise e incentivo de seu orientador, dr. Mário Rabelo. A produção das gaitas concebidas teve suporte técnico da Hering Harmônicas e ganhou o mundo exportadas pela fábrica brasileira. Há 12 anos, Pablo é endorsee da fábrica de instrumentos musicais japonesa Suzuki Harmônicas.

De ensinamento a ensinamento, Pablo percebeu que aprender fazendo ampliava o conhecimento e nada melhor do que reparti-lo. Impregnado pelo Choro e às voltas com suas dificuldades de execução, surgiu a ideia da criação, em 2006, do curso pioneiro no país de Gaita no Choro. O apoio e o entusiasmo de Reco do Bandolim fizeram a ideia prosperar. Decorridos 14 anos, o Clube do Choro de Brasília registra no curso a marca de mais de 1.200 alunos, para orgulho do Pablo professor. Do começo nas entrequadras brasilienses, a trajetória musical do gaitista ganhou dimensão global, com apresentações pelo Brasil, Estados Unidos, Canadá, França, Bélgica, Holanda, Áustria, Espanha, Austrália, e o inclui num seleto grupo de especialistas tanto nas gaitas diatônica quanto cromática. A oportunidade de tocar com músicos consagrados no cenário internacional – Toots Thielemans, Hermeto Paschoal, Toninho Horta, Nelson Faria, Maurício Einhorn, Hamilton de Holanda, David Grisman, Mike Marshall, Howard Levy – transformou a experiência em um incentivo a mais para a criatividade. Aliás, ingrediente fundamental reconhecido pelo “padrinho” Dominguinhos ao gravar “Feira de Mangaio” no CD solo “Foles”, num dueto antológico sanfona-gaita, marco na discografia do gaitista. As oportunidades continuaram surgindo e uma inusitada e aplaudida parceria com o norte-americano Christylez Bacon (beatbox e hip-hop) tem rendido apresentações regulares, desde 2015, em Washington, DC, e no Brasil. Ao longo dos anos, o ganho de visibilidade também multiplicou-se com a gravação independente de dez CDs, entre solos e coletivos. O mais recente deles, o segundo em parceria com o violonista Marcus Moraes, foi lançado em novembro de 2019. Com participação em diferentes formações musicais, faz parte hoje do Trinca Brasília, ao lado de Félix Jr (violão 7 cordas) e Pedro Almeida (bateria). Ganhador do CCBC Jazz Fest, entre 120 bandas selecionadas Brasil afora, o Trinca Brasília representou o país no Canadá, em 2018, e Brasília na 21a edição do Festival de Jazz & Blues do Ceará, em 2020. Enquanto constrói sua caminhada musical, Pablo desenvolve como produtor (e músico participante) o projeto Som lá em Casa.

Ao longo dos últimos quatro anos, realizou 38 edições com renomados artistas brasileiros e de várias nacionalidades. De moçambicanos a austríacos, húngaros a norte-americanos, canadenses, franceses, o conceito estabelecido pelo Som lá em Casa fincou raízes na música de qualidade, sem fronteiras. Sentimentos incontidos em relação à profissão e à realização pessoal, a definição de presente e futuro é tão simples quanto a forma encontrada por Pablo para resumi-la: “Vivemos da música e para a música”. Que assim seja!