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FCC

Professor (Brasil)

Alexandre Dias

Alexandre Dias iniciou seus estudos de piano aos 10 anos, sendo aluno de Elza Kazuko Gushikem (UnB) e Neusa França. Paralelamente a suas atividades musicais, formou-se em Ciências Biológicas na Universidade de Brasília, defendeu sua dissertação de mestrado em 2009, e sua tese de doutorado em 2013, ambas pelo Programa de Pós-Graduação em Ecologia, da Universidade de Brasília, na área de Bioacústica, investigando a comunicação sonora de aves do Cerrado. A partir de 2013, passou a dedicar-se exclusivamente à música, prosseguindo com suas atividades como pianista, pesquisador e professor de piano. Em 2001, criou a lista de discussão na internet chamada “O Malho”, que esteve em atividade por cerca de 10 anos, tendo como escopo assuntos relacionados ao choro e à música da Belle Époque brasileira, da transição dos séculos XIX e XX, área em que passou a se especializar.

De 1999 até o presente, tem pesquisado a obra e discografia de Ernesto Nazareth, sendo este o seu tema de pesquisa de mais longa duração. Por volta de 2004, conseguiu reunir todas as partituras de Ernesto Nazareth com base em pesquisas em diversas bibliotecas, acervos particulares e lojas de partituras. Neste período, catalogou mais de 3.000 gravações comerciais de obras de Nazareth realizadas desde 1902 em diversos países. Destas, conseguiu reunir em sua coleção mais de 2.600 gravações, formando o maior acervo discográfico deste compositor. Também foram reunidos e catalogados livros sobre Ernesto Nazareth, publicações acadêmicas, vídeos, extensa hemeroteca, e gravações não-comerciais.

Como pesquisador e musicólogo tem participado de diversos projetos culturais, como Nazareth (Natura Musical, 2008), para o qual revisou a totalidade da obra do compositor; Acervo Digital Chiquinha Gonzaga (Natura Musical, 2011), para o qual revisou a obra completa da autora para piano solo e piano e canto. Em 2012, a convite do Instituto Moreira Salles, passou a atuar na concepção, pesquisa e coordenação do site Ernesto Nazareth 150 Anos (www.ernestonazareth150anos.com.br), juntamente com Bia Paes Leme e Paulo Aragão, em preparação para as comemorações do sesquicentenário do compositor em 2013. Para este site, forneceu sua pesquisa inédita da discografia completa de Nazareth, incluindo mais de 2.600 gravações que agora estão disponíveis para audição online, e extensa bibliografia sobre o compositor. 

Ainda em 2012, prosseguindo com o resgate de obras de compositores brasileiros, lançou com recursos próprios o site Acervo Digital Marcello Tupynambá (www.marcellotupynamba.com.br), em parceria com a editora Irmãos Vitale, a família do compositor e o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, disponibilizando pela primeira vez mais de 230 partituras do compositor paulista, além de sua discografia completa, filmografia, imagens, bibliografia, e a letra de todas as suas canções transcritas na íntegra. Entre 2013 e 2015, revisou seis operetas inéditas de Chiquinha Gonzaga que agora estão disponibilizadas no Acervo Digital Chiquinha Gonzaga (www.chiquinhagonzaga.com.br), como parte do prêmio concedido pela EMC Corporation (o projeto ficou em segundo lugar em um edital internacional). Em 2014, participou da concepção e alimentação do portal Acervo Digital do Violão Brasileiro (www.violaobrasileiro.com.br), coordenado por Alessandro Soares. No mesmo ano, lançou juntamente com a musicóloga Drª Sara Cohen (UFRJ) o primeiro volume da Edição Crítica da Obra Completa de Ernesto Nazareth, com minuciosa pesquisa nos manuscritos do compositor e nas primeiras edições de cada obra. Também fez a revisão dos 18 arranjos de Radamés Gnattali sobre obras de Nazareth para dois pianos, disponibilizados no site EN150, triangulando uma parceria entre Nelly Gnattali, viúva do compositor, e o Instituto Moreira Salles.  Em 2015, lançou mais dois acervos digitais, com recursos próprios: o Acervo Digital Zequinha de Abreu (www.zequinhadeabreu.com), que apresenta o primeiro catálogo detalhado da obra do compositor, além de 108 partituras suas para download, imagens e bibliografia; e o Acervo Digital Eduardo Souto (www.eduardosouto.com.br), que também apresenta o primeiro catálogo da obra do compositor, e oferece para download 209 partituras. 

 

Em agosto de 2015, lançou o Instituto Piano Brasileiro (www.institutopianobrasileiro.com.br), com recursos próprios, um amplo portal na internet dedicado ao rico universo pianístico brasileiro em suas diversas esferas, com o objetivo de ampliar suas pesquisas. No segundo semestre de 2016, prosseguiu com a digitalização do acervo de fitas-rolo e fitas K7 da pianista Neusa França, de quem foi aluno. Em 2017, intensificou o trabalho de digitalização e catalogação de acervos de partituras, vindo a trabalhar com cinco grandes acervos particulares: 1) do pianista, compositor e musicólogo Aloysio de Alencar Pinto (1911-2007); 2) da pianista Maria Helena Bittencourt Neiva (1927-2007); 3) do tenor e pianista Hermelindo Castello Branco (1922-1996); 4) da pianista Belkiss Spenzieri Carneiro de Mendonça (1928-2005); 5) da pianista Eudóxia de Barros (1937), um dos maiores acervos de partituras de piano brasileiro, Em dezembro de 2017, o Instituto Piano Brasileiro, criado por Alexandre Dias, recebeu o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) na categoria "Projeto musical", destacando o trabalho do instituto em nível nacional. Em 2018, prosseguiu com a digitalização de grandes acervos, incluindo o acervo de Guiomar Novaes, que foi doado ao IPB, e o acervo de José Vieira Brandão, com permissão da família. Neste último acervo, descobriu o manuscrito de uma música desaparecida de Villa-Lobos – o Concerto para dois pianos e coro, o que resultou em matérias com amplo destaque na imprensa.